Medo do sono. Palavras ingênuas acarretando sentimentos eternos.

quarta-feira, 27 de junho de 2012

Crônica sobre o medo infantil. História de como um simples palavra, falada ingenuamente, pode acarretar sentimentos que nunca mais serão esquecidos.


Medo do Sono. Às vezes, palavras faladas ingenuamente às crianças podem estar gerando sentimentos que serão levados por toda a vida.
by Telma M.
Você já teve vontade de voltar no tempo? Já sentiu uma vontade imensa de dominar uma técnica que pudesse fazer o mundo girar para trás e voltar alguns anos de sua vida?
Pois é, eu sinto essa vontade. Queria retornar ao passado para poder reparar uma coisa que fiz há muito tempo.
Vou contar uma história para explicar esse desejo. Vejam se não é uma história de arrepiar:

Quem nunca teve medo de algo?
Depois de adultos nós nos tornamos falsos corajosos, mas, quando crianças, duvido que exista alguém que nunca tenha tido medo.
Eu era medrosa. Depois que anoitecia, tinha medo até da minha própria sombra.
Já meus filhos sempre foram corajosos, quer dizer, nunca demonstraram medo de nada.

Entretanto, depois de 25 anos, minha filha confessou que tinha medo sim.
Tinha medo de uma imagem muito doce e suave.
Bom... Pelo menos eu pensava que a imagem era suave. Ela não pensava assim...

Desde que aprendeu a falar, com um ou dois anos de idade, todas as noites antes de dormir, ela me pedia que contasse histórias, mas não se contentava com uma só, ela queria quatorze.
Provavelmente porque quatorze representava um número grande, ela sempre queria quatorze historinhas.

Ela falava assim: “... mamãe, tonta mais tóinha; uma não!!! Muita!!!! Catoze tóinha...”

Eu contava várias, mas chegava um momento que minha imaginação começava a falhar.
Isso porque ela não queria histórias de livros, ela queria histórias inventadas na hora, daquelas bem cheias de aventuras e emoções fortes.
Então, quando eu já não tinha mais imaginação para invenções, eu dizia:

Olha, o Soninho tá chegando. Ele quer entrar no quarto e não consegue porque a gente fica falando.Vamos ficar quietinhas? Assim o coitado do Soninho pode entrar sossegado.

Ela, então, ficava quietinha e fechava os olhos bem apertados.
Logo dormia e eu podia voltar para o meu quarto.

Certo dia, anos depois, quando ela já estava adulta, me disse que aqueles foram anos terríveis.
Ela tinha um medo enorme do tal “Soninho” e ficava imaginando um monstrengo terrível escondido atrás da porta pronto para atacar.
Por isso ela dormia. Para fugir do “Soninho”!
Não é horrível não poder voltar no tempo?

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2 comentários:

  1. Olá Telma !!!

    Adorei a postagem ! Muito interessante este fato que compartilhou conosco ! Minha mãe adorava me dar bonecos para pendurar no quarto, pois eu gostava muito de tê-los ali, por todos os cantos, mas um dia ela comprou um que se tornou meu Monstrengo... não sei porque, mas eu ficava apavorada ao deitar na cama e olhar aquele boneco... tinha até pesadelos, mas nunca contei a ela... não sei porque motivo, e lendo agora seu relato, acho que vou deixá-la sem saber rsrs Tadinha, queria me agradar, mas o bonecão assombrou várias das minhas noites...
    Mas não fique chateada com isso, faz parte :) Mas que seria bom podermos voltar para desfazer certas coisas...ahhhh como seria :D

    Grande beijooo e boa semana !!

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    1. Olá Samanta, obrigada por sua visita, você é sempre bem vinda. Pois é, agora é aprender a conviver com a decepção de mãe. Bom, mas vale como dica para evitar os mesmos erros de outras mães. E olha, não conta nada para a sua, deixe assim, é melhor. Bjs

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