Mahatma Gandhi. O Caminho da Índia.

sábado, 28 de maio de 2011


by Roberto M.
Os Hindus, entre os séculos XIV e XI a.C., penetraram e foram os primeiros conquistadores da região que hoje conhecemos como a grande península indiana.
Levaram consigo uma língua, uma religião (hinduísmo) e uma cultura, que foram transmitidas oralmente por várias gerações, e, mais tarde, cristalizadas no VEDAS, uma espécie de sagrada escritura hindu.

A hegemonia cultural dos hindus predominava na península, até que entre os séculos VIII e XI d.C., teve inicio uma série de invasões muçulmanas que culminaram na instalação do império do Grão-Mogol, instituído em 1526 por Baber (descendente de Gengis Khan e de Tamerlão).
Pelo menos nominalmente, a autoridade do Grão-Mogol deveria durar até 1857, mas desde 1750 a Índia começou a ser governada por dinastias locais, e a autoridade do Grão-Mogol passou para o esquecimento.

Nessa época, os europeus ocupavam alguns portos litorâneos da região, penetravam no comércio interno, mas não se preocupavam com expansões territoriais.
Mas, no início do século XIX, os ingleses, mudando de atitude, expulsaram os franceses (os únicos concorrentes perigosos na conquista da Índia) e os maratas (a mais belicosa de todas as populações indianas) e aos poucos, foram se apoderando de todo o território indiano.

A princípio, o poder era exercido por uma espécie de instituição estatal (a Companhia das Índias Orientais) e não diretamente pelo Estado Britânico.
Mas nos anos de 1857 a 1858, após reprimir violentamente uma tentativa de rebelião ao domínio inglês (a revolta dos sipaios, soldados indianos a serviço da Companhia), Londres dissolveu a Companhia das Índias Orientais e a soberania da Índia passou diretamente à Coroa da Inglaterra. Em 1º de janeiro de 1877, a Rainha Vitória foi proclamada Imperatriz da Índia.

Foi exatamente nessa época, a 2 de outubro de 1869, que nasceu Mohandas Karamchand Gandhi, o homem que iria consagrar toda a sua vida à missão de restituir a independência à Índia e aos hindus, depois de tantos séculos sob o domínio muçulmano e inglês.
A personalidade de Gandhi é complexa e apaixonante. Em pleno vigor de sua atividade, era chamado pelo povo de Mahatma, que quer dizer “grande alma”. Esse nome ficou para sempre, e hoje é usado universalmente.

Mahatma Gandhi foi, sem dúvida nenhuma, o maior agitador social dos tempos modernos. É o pai da Índia de hoje. É um dos maiores e mais seguidos líderes espirituais da humanidade.
O segredo de sua grandeza, comprovado por sua vida e obra, está na mente e na alma.

Tudo considerou de pequena importância, quando comparado ao empenho de melhorar a si mesmo e de elevar espiritual e socialmente os outros. Antes, e mais que a liberdade política da Índia, preocupava-se com a liberdade interior do homem, entendida como libertação do egoísmo, da avareza, do ódio, do medo, de todas as paixões que reduzem o espírito dos homens à escravidão e conduzem os povos a sangrentas lutas.
Em 1906, por ocasião de uma luta desesperada contra desumanas injustiças perpetradas contra os indianos, Gandhi proclamou, pela primeira vez, o chamado satyagraha, um método de batalha que usaria a vida inteira.

O satyagraha, interpretado habitualmente como “resistência passiva”, literalmente significa “insistência pela verdade” e tem como princípios a verdade, a não violência e o amor. Segundo o próprio Gandhi: “o satyagraha dá, a quem a ele se dedica incomparável força. Pode ser exercido contra pais, mulher, filhos; contra soberanos ou contra cidadãos de todo o mundo. A força a ser aplicada nunca é física. Não deixa lugar para a violência. A única força com aplicação universal é a força do Ahimsa, do amor”.

A mensagem de Mahatma Gandhi era universal. Ele insistia para que os hindus de seu país estudassem o Corão e a Bíblia; que muçulmanos e cristãos lessem o Bhagavade-Gita hinduísta.

Em 13 de janeiro de 1948, com 78 anos de idade, Gandhi iniciou seu ultimo jejum, seu ultimo satyagraha. Pretendia contribuir para por fim ao derrame de sangue entre hindus, muçulmanos e demais grupos.

Mas, apesar de vitoriosa, sua obra de paz acabou gerando muito ódio na alma de seus correligionários e compatriotas. Na noite de 30 de janeiro de 1948, Mahatma Gandhi era levado, como de costume, ao lugar de oração em Nova Delhi, quando foi assassinado com três tiros. O assassino era Nathuram Vinayak Godse, um brâmane hindu que não aprovava a ação de Gandhi por ela favorecer a convivência e o entendimento entre muçulmanos e hindus.

Morreu numa sexta-feira, abatido por assassinos que não tinham compreendido nem o seu exemplo nem a sua mensagem.
Bibliografia: O Pensamento Vivo de Gandhi – Martin Claret Editores- 1985
 
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Um comentário:

  1. Oi Telminha querida!
    Foi um interessante passeio pela história da Índia e com um líder que deixou como exemplo uma elevação espiritual muito grande. Pena, realmente, que alguns não compreenderam os seus passos... Mas isso faz parte desse mundo que busca a contemplação do material e esquece do valor espiritual de todos nós. Pessoas como ele morreram e morrem, mas deixam seus legados... Acredito nisso! E se conseguirem revolucionar a mente e a alma de uns poucos, terão cumprido com seus propósitos!
    Grande beijo, querida!
    Jackie

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