Sobre o estresse das mulheres e das crianças. Onde foi parar aquela “Brincadeira de criança”?

segunda-feira, 13 de setembro de 2010


 by Telma Manolio
Atualmente as pessoas estão muito estressadas. Os homens, as mulheres e as crianças, todos parecem viver num pesadelo. Este texto poderia falar de todas as pessoas, mas hoje eu só quero falar das mulheres e das crianças por pura arbitrariedade.
As mulheres trabalham fora, mas continuam trabalhando em casa também. Levam as crianças para o colégio e fazem um sem número de atividades que exigem delas mais do que podem realizar. Entretanto, ninguém ainda parou para pensar, porque está fora de questão a idéia de que basta reduzir as atividades.  
O problema é que o dia só tem vinte e quatro horas, mas a quantidade de coisas que as pessoas arranjam para fazer ultrapassa
esse limite.
Por que surgem necessidades de tantas atividades?
Um dia desses, numa conversa informal, dessas que se estabelecem na sala de espera de consultório médico, eu fiquei estarrecida ao saber da quantidade de atividades que uma jovem mãe desempenha num mesmo dia. Não que eu mesma não tenha vivido situações semelhantes, mas já se passou algum tempo desde que meus filhos precisaram de mim com tanta intensidade. Além do mais eu sempre fui adepta da crença de que o excesso de atividades não é benéfico para ninguém.
A maratona dessa mãe é terrível. Ela contou que mora na zona norte da cidade de São Paulo e bem cedinho pela manhã, tem que levar os dois filhos para a escola que fica na zona sul da cidade. Depois, tem até o meio dia para cuidar da casa e preparar o almoço. Até aí parece tudo bem, embora as atividades como dona de casa absorvam muitas horas de trabalho braçal, não é nesse período que ela tem suas energias colocadas à prova. O problema começa com a chegada da parte da tarde. Mal os filhos chegam em casa (após é lógico, ela ter dado um “pulinho” até a zona sul para buscá-los) ela já começa a se estressar para evitar que eles se envolvam com televisão e computador, o que faria com que perdessem a hora dos compromissos. Eles têm que almoçar rapidamente porque precisam ir para as aulas de reforço escolar, também do outro lado da cidade, na zona sul. Estudam num colégio renomado e não estão conseguindo acompanhar o ritmo escolar, então é preciso reforço para não ficarem em desvantagem perante os colegas.
Em seguida as crianças têm aulas de inglês numa escola perto de casa, de volta para a zona norte. Após o inglês é preciso correr para não chegar atrasado às aulas de judô do menino e às aulas de balé da menina, o problema é que as escolas não são no mesmo endereço. O judô e o balé só tem duas vezes por semana, nos outros dias tem futebol para o garoto e academia para a menina, que está um pouco acima do peso. As aulas de natação têm que ser encaixadas entre as atividades de alguma forma e a família conseguiu fazer isso, não me perguntem como.
As crianças têm lições escolares para fazer todos os dias e alguns trabalhos de pesquisa para fazer durante a semana, que, graças a São Bill Gates podem ser feitas em casa, através da internet.
Para todas essas atividades a mãe tem que levar as crianças de carro. O trânsito da cidade de São Paulo é caótico o dia inteiro. Não há um horário mais tranqüilo para se transitar pela cidade, é uma loucura o dia todo, principalmente quando se tem que atravessar a cidade por corredores de trânsito intensos, como é o caso das interligações norte-sul. Sobra pouco tempo para a mulher gastar com ela mesma.
Ela acaba sendo apenas uma motorista particular dos filhos, exposta a muitas sessões de treinamento intensivo para se tornar uma pessoa amarga, irritada, agressiva, cobradora, impaciente, péssima ouvinte dos filhos, do marido e de quem quer que se aproxime dela. Acaba tendo uma sensação de incapacidade que a torna deprimida, mal-humorada e infeliz. Nós não estamos no mundo para sermos infelizes! Sendo assim, estamos aqui para quê?
Ora, todos nós buscamos a felicidade, isso me parece tão claro... Só que nós estamos indo na direção errada, pois a felicidade nos parece cada dia mais distante; os obstáculos se multiplicam e não conseguimos alcançar nossos objetivos. Estamos ficando pelo caminho atacados por doenças relacionadas ao estresse.
Todas essas atividades assumidas pelas mães para seus filhos deveriam trazer felicidade, mas o que deu errado? Eu diria que o excesso é que está errado. Futebol, balé, natação deveriam ser sinônimo de prazer, mas as crianças estão muito cansadas, as mães estão muito cansadas, o prazer foi transformado em obrigação.
Quanto às crianças, o estresse pode ser visto facilmente no baixo rendimento escolar e também quando elas acabam dormindo no meio das aulas. Elas não têm mais tempo para brincar. Aquela brincadeira livre e descompromissada de antigamente. Agora tudo é compromisso, tudo é obrigação. Assim não tem graça!!!!
Ora, acabei de entender o que está acontecendo: Deus criou horas de menos. Mas então a culpa do nosso estresse é Dele!
“Peraí”... Deus criou as vinte e quatro horas, quem resolveu enfiar mais atividades do que é capaz de desempenhar fomos nós...
Resumo: crianças estressadas, mulheres estressadas, atividades exageradas, excesso de atividades das crianças, correria das mães, baixo rendimento escolar, brincadeira de criança


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    3 comentários:

    1. Prefiro ser feliz do que me render ao stress como todos. Aliás eu prefiro ser feliz do que fazer a propaganda de que estou estressado, só pra mostrar que eu tenho problemas.
      Tem gente que faz isso. Gosta de acreditar que está com aquilo só pra ter a atenção voltada para elas.
      Eu prefiro ser feliz e saudável.
      Não gosto de ter doenças pras pessoas terem dó de mim.
      Mas é o que a maioria gosta pelo jeito, então...
      Que fiquem estressados, ora.

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    2. Olá Gabriel, obrigada por seus comentários. O problema é que às vezes as pessoas ficam tão envolvidas com o excesso de atividades que elas mesmas criaram para si, que não percebem que estão se tornando carentes e infelizes. A solução está na frente do nariz, é só assumir apenas responsabilidades que consegue realizar, fazer uma coisa de cada vez. Não adianta querer abraçar o mundo se o braço é curto...

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    3. Nunca devemos exagerar, tudo que for demais contribui negativamente, temos que moderar para fazer melhor,com isso seremos mais tranquilos e felizes, o redimento pode melhorar assumindo o que é possivel fazer ,sem estresse.
      Parabéns pelo artigo.
      Beijo.

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